segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Quando o silêncio acompanha o cortejo

 Quando o silêncio acompanha o cortejo

Há momentos na vida em que o silêncio fala mais alto do que qualquer palavra.


Hoje, ao descer acompanhando o cortejo até o cemitério, meu coração estava pesado. Não apenas pelos passos lentos, mas pelo peso invisível da dor que caminhava ao nosso lado. Diante de nós, um pequeno caixão. Ao lado, um pai desolado, seguindo em silêncio, com o olhar perdido e o coração despedaçado. Uma vida que nasceu e partiu quase no mesmo instante.

Há dores que não deveriam existir. Mas existem. E quando elas chegam, não pedem licença nem explicação.

A perda de um filho não segue a ordem natural da vida. Não faz sentido. Não se organiza em palavras. Apenas dói. Dói fundo, dói calado, dói onde ninguém alcança.

Enquanto caminhava, lembrei-me de Davi. A Bíblia registra um dos textos mais difíceis de ler, justamente porque nos confronta com o mistério da dor e da soberania de Deus. Em 2 Samuel 12, após a morte de seu filho, o texto diz que Davi levantou-se, lavou-se, mudou suas vestes, entrou na casa do Senhor e adorou; depois, voltou para casa e comeu (2 Samuel 12:20).

Esse texto não nos ensina frieza. Não nos ensina indiferença. Ele nos ensina algo muito mais profundo: há dores que não são superadas, mas são carregadas na presença de Deus.

Davi chorou enquanto havia esperança. Jejuou, orou, suplicou. Mas quando a morte chegou, ele compreendeu algo que todos nós, cedo ou tarde, precisamos aprender: a vida continua, mesmo quando o coração permanece ferido. Não porque a dor acabou, mas porque Deus permanece.

A Bíblia nunca romantiza o sofrimento, mas também não o esconde. Ela nos mostra um Deus que entra na dor humana. Em João 11, diante do túmulo de Lázaro, o texto é curto e profundo: “Jesus chorou” (João 11:35). O Filho de Deus não negou as lágrimas, não espiritualizou a dor, não a tratou como fraqueza. Ele chorou. Isso nos ensina que chorar não é falta de fé; é expressão de humanidade diante de um Deus que se importa.

Aquela bebê não conheceu a dureza deste mundo. Não conheceu a violência da vida, nem as marcas do pecado. Cremos que foi acolhida diretamente nos braços do Pai. As palavras de Jesus ecoam como consolo em meio à dor: “Deixai vir a mim os pequeninos, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mateus 19:14).

Para os pais, ficou o vazio. Para a família, ficou o silêncio. Para Deus, ficou uma vida guardada em amor.

O salmista nos lembra: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado” (Salmo 34:18).

Perto. Não distante. Não indiferente. Perto do pai que segue o cortejo em silêncio. Perto da mãe que chora longe dos olhares. Perto de todos os que tentam entender o que não tem explicação.

Há momentos em que não perguntamos mais “por quê”, porque sabemos que não haverá resposta imediata. Mas aprendemos a perguntar: em quem descansaremos? E a fé cristã nos conduz a essa certeza: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmo 46:1).

O luto não tem prazo. A dor não segue calendário. Mas a presença de Deus é constante. Ele sustenta hoje, sustentará amanhã e caminhará com os que choram até o dia prometido, quando, como afirma a Escritura, Deus enxugará dos nossos olhos toda lágrima (Apocalipse 21:4).

Hoje, o cortejo desceu em silêncio. Mas nossa esperança aponta para cima.

Porque, mesmo quando a vida é breve demais para os nossos braços, ela nunca é pequena demais para o cuidado de Deus.

Diante de dores como essa, não nos resta outra atitude senão nos voltar para o Senhor. É tempo de oração, não de explicações apressadas. Tempo de abraçar, não de discursos longos. Tempo de lembrar que, mesmo quando o coração do pai caminha desolado atrás de um cortejo, Cristo caminha ao lado, sustentando com graça invisível, porém real.

A esperança cristã não nega a dor, mas a atravessa com fé. Olhamos para a cruz e lembramos que Jesus também conheceu o sofrimento, a perda e a morte — e, ainda assim, a ressurreição teve a última palavra.

Que o Espírito Santo console esta família, fortaleça o pai e a mãe, e nos ensine a descansar na certeza de que, em Cristo, nem mesmo a morte é o fim, mas o começo da eternidade com Deus.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Essa Prova Vai Passar: Esperança e Perseverança na Jornada Cristã

 

Essa Prova Vai Passar: Esperança e Perseverança na Jornada Cristã

A vida cristã não é um caminho sem pedras, sem lágrimas ou sem lutas. Jesus foi honesto ao dizer: “No mundo tereis aflições” (João 16:33). O apóstolo Pedro reforça: “Não estranheis a ardente provação que vem sobre vós, como se coisa estranha vos acontecesse” (1 Pedro 4:12). A Bíblia não esconde a realidade da dor, mas nos ensina a enxergá-la à luz da eternidade. A mensagem central é clara: essa prova vai passar.

A dor é real, mas não é eterna. Paulo nos lembra em 2 Coríntios 4:17-18 que a tribulação é “leve e momentânea” quando comparada ao peso eterno de glória que nos aguarda. O salmista declara: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5). A noite não é definitiva; a manhã chega. A dor tem prazo de validade, mas a esperança em Cristo é permanente.

Reconhecer a realidade da provação é o primeiro passo. Vivemos em um mundo marcado pelo pecado, e por isso enfrentamos crises, perdas e enfermidades. O salmista confessa: “Muitas são as aflições do justo” (Salmo 34:19). Jó perdeu filhos, bens e saúde, mas declarou: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). A Bíblia não romantiza a dor, mas mostra que ela faz parte da jornada. O pecado rachou o chão da história, e onde há rachadura, há feridas. Mas aqui está o consolo: Deus é mais real que a dor. Ele não observa de longe; Ele se aproxima. Isaías 53:3 chama Jesus de “homem de dores, experimentado nos sofrimentos”. Ele chorou no túmulo de Lázaro, suou sangue no Getsêmani e carregou a cruz até o Calvário. Ele não minimiza a dor, Ele a redime.

A segunda verdade é que a provação é temporária. Paulo chama a tribulação de “leve e momentânea”. O sofrimento não é eterno. José foi vendido, traído e preso injustamente, mas a prisão não foi para sempre. O deserto de Israel durou quarenta anos, mas não era destino, era transição. O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã. A prova tem começo, meio e fim.

A terceira verdade é que a provação tem propósito. Deus não desperdiça dor. Jeremias 18 nos mostra o oleiro trabalhando o barro. Às vezes o vaso se quebra em suas mãos, mas o oleiro não desiste: ele refaz, reconstrói, dá nova forma. Assim é o Senhor conosco. Tiago 1:3-4 declara: “A prova da vossa fé produz perseverança.” A dor não é apenas um teste de paciência, mas um chamado ao arrependimento. Muitas das nossas lutas não vêm apenas das circunstâncias, mas do pecado. Romanos 6:23 afirma: “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus.” O maior propósito da provação é nos levar a reconhecer nossa fragilidade e nossa necessidade de salvação.

E aqui chegamos ao ponto decisivo: perseverança na fé e esperança na salvação. Hebreus 10:23 nos exorta: “Guardemos firme a confissão da esperança, porque fiel é o que prometeu.” Perseverar é não soltar a mão de Deus, mesmo quando tudo parece desmoronar. Romanos 5:3-4 nos lembra que a tribulação produz perseverança, e a perseverança gera esperança. Mas sem Cristo, não há esperança verdadeira. O pecado nos condena, nos aprisiona e nos separa de Deus. A maior prova da humanidade não é a dor física, nem a crise financeira, nem a perda emocional. A maior prova é o pecado. E só Jesus pode vencê-la.

Por isso, perseverar na fé significa tomar uma decisão diante da cruz. Reconhecer que somos pecadores. Reconhecer que precisamos de perdão. Reconhecer que precisamos de uma nova vida ao lado de Cristo. 1 João 1:9 nos dá a promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” O perdão não é teoria, é realidade. A salvação não é sonho, é oferta. A esperança não é ilusão, é certeza em Cristo.

A mensagem final é clara: essa prova vai passar. A dor é real, mas temporária. O propósito é moldar. A perseverança nos leva à esperança. Mas a maior decisão que você pode tomar não é apenas suportar a prova, mas entregar sua vida a Cristo. Sem Jesus, a prova do pecado nunca passa; ela se torna condenação eterna. Mas com Jesus, há perdão, há salvação, há vida nova.

Apocalipse 21:4 nos dá a promessa definitiva: “Deus enxugará dos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.” Essa é a esperança eterna. Essa é a vitória definitiva.

Hoje, Deus está chamando você. Não apenas para suportar a prova, mas para nascer de novo. Não apenas para resistir à dor, mas para receber a vida eterna. Não apenas para perseverar, mas para decidir: Cristo é meu Salvador.

Essa prova vai passar, mas a salvação em Cristo é eterna. O choro é breve, mas a vida em Jesus é para sempre.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Eficiência Não Basta: A Obra Missionária Precisa Ser Eficaz

Eficiência Não Basta: A Obra Missionária Precisa Ser Eficaz

Por Paulo Eduardo Martins

No campo missionário, duas palavras que parecem semelhantes podem revelar realidades completamente diferentes: eficiência e eficácia. Ambas são usadas em relatórios, reuniões e planejamentos, mas nem sempre são compreendidas à luz da missão que Jesus nos confiou. Eficiência é fazer bem feito. Eficácia é fazer o que realmente precisa ser feito.

Eficiência é quando as ações acontecem com organização, boa execução, ótimo uso de recursos, belas fotos e divulgação impecável. Tudo isso tem valor. Mas eficácia vai além: é quando o trabalho alcança o propósito final — vidas transformadas, salvação genuína, discipulado consistente e crescimento espiritual.

O problema dos nossos dias é que há muito trabalho eficiente, mas pouco trabalho eficaz. Há muito movimento, mas pouco fruto. Há muita exposição, mas pouca transformação. Há muitos projetos funcionando, mas poucos corações sendo alcançados. Vivemos um tempo em que é possível montar ações sociais bonitas, eventos atrativos e projetos bem apresentados — tudo com excelente eficiência. Mas se no final não houver arrependimento, conversão, discipulado e maturidade cristã, então, por mais organizado e bonito que o trabalho seja, ele não foi eficaz.

Essa reflexão é honesta e pessoal. Eu mesmo sou alguém que divulga, que compartilha fotos, vídeos e testemunhos — e faço isso com alegria, porque sei que mobiliza oração, aproxima os irmãos do campo e inspira fé. Mas, ao mesmo tempo, carrego um zelo profundo: não quero um ministério que faça muito movimento e pouca missão. Não quero que a obra se transforme em exposição sem essência.

Ao completar 22 anos no campo missionário, essa reflexão se torna ainda mais necessária. A missão não é sobre folhas, mas sobre frutos. Não é sobre quantidade de atividades, mas sobre qualidade de impacto. Não é sobre aparecer, mas sobre transformar.

A preocupação é real, porque a tentação de priorizar a eficiência — aquilo que aparece, que impressiona, que gera visibilidade — pode ser grande. Mas Cristo não nos chamou para sermos eficientes aos olhos dos homens, e sim eficazes aos olhos do Pai. Jesus não celebrou figueiras cheias de folhas. Ele procurou frutos (Marcos 11:13-14).

Eficiência produz movimento. Eficácia produz resultados espirituais. Eficiência preenche agenda. Eficácia transforma vidas. Eficiência atrai seguidores. Eficácia faz discípulos. Eficiência aparece nas redes. Eficácia aparece na eternidade.

A obra missionária precisa voltar urgentemente a esse ponto: o que estamos fazendo está produzindo fruto? Estamos sendo organizados ou transformadores? Estamos trabalhando para mostrar ou para salvar? Estamos focados em movimentar pessoas ou em formar discípulos? Organização é boa. Divulgação é importante. Projetos são necessários. Mas nada disso substitui o poder de uma vida alcançada, o processo de um discipulado fiel, a força de uma conversão sincera.

O ministério não pode se contentar em ser eficiente. Ele precisa ser eficaz. No fim da jornada, Deus não nos pedirá relatório das fotos tiradas, nem das publicações feitas, nem da amplitude dos nossos eventos. Ele nos perguntará sobre os frutos — frutos que permaneçam (João 15:16).

Menos brilho, mais profundidade. Menos movimento, mais transformação. Menos eficiência aparente, mais eficácia espiritual. A obra missionária só cumpre seu propósito quando gera resultados eternos, e não apenas impressões passageiras. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Fé em Ação: A Responsabilidade Social da Igreja

 

Fé em Ação: A Responsabilidade Social da Igreja


A fé cristã não pode ser reduzida a um conjunto de ideias ou declarações de crença. Ela precisa se tornar visível na forma como vivemos e nos relacionamos com o próximo. Quando a fé permanece apenas no campo da teoria, perde sua força transformadora e deixa de cumprir o propósito para o qual foi dada. O evangelho não é apenas uma mensagem para ser ouvida, mas uma realidade para ser praticada.

A responsabilidade social da igreja nasce justamente dessa compreensão. Não podemos separar nossa esperança futura da missão presente. A promessa da vida eterna não nos convida a fugir das dificuldades do mundo, mas nos chama a enfrentá-las com coragem e amor.

Na verdade, somos cidadãos de dois mundos. Pertencemos ao céu, mas também temos deveres na terra. Essa tensão não é um problema, mas uma riqueza da fé cristã: enquanto aguardamos a plenitude do Reino de Deus, somos chamados a viver de forma responsável no aqui e no agora. Como Paulo escreveu: “A nossa cidadania, porém, está nos céus” (Filipenses 3:20), mas isso não nos isenta de agir com responsabilidade e compaixão neste tempo presente. Nossa teologia sobre as coisas futuras não deve ser confundida com escapismo, mas entendida como motivação para servir e amar neste tempo presente.

A igreja primitiva nos dá um exemplo poderoso dessa vivência prática. Em Atos 2, vemos que os primeiros cristãos estavam unidos, partilhavam o que tinham e cuidavam uns dos outros. O texto afirma que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum... e caíam na graça de todo o povo” (Atos 2:44,47). A unidade e a solidariedade da comunidade eram tão visíveis que até os de fora reconheciam a beleza daquela fé em ação.

Isso significa que a fé verdadeira nos impulsiona a agir. Não basta acreditar em princípios espirituais; é necessário colocá-los em prática. Tiago nos lembra com firmeza: “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tiago 2:17). A fé prática é aquela que se traduz em gestos concretos de amor, que não se limita ao discurso, mas se revela no cuidado com os necessitados.

A igreja é chamada a se envolver nas dores e necessidades da sociedade. Alimentar os famintos, acolher os desamparados, consolar os que sofrem e estender a mão aos mais vulneráveis não são apenas gestos de bondade, mas expressões concretas da fé que professamos. Jesus nos ensinou: “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber” (Mateus 25:35).

A igreja, portanto, não pode ser vista apenas como um espaço de culto ou um prédio onde nos reunimos semanalmente. Ela é uma comunidade viva, formada por pessoas que compartilham a mesma fé e que se comprometem a viver essa fé em ações práticas. Campanhas de solidariedade, projetos sociais, visitas a enfermos, apoio a famílias em dificuldade, cuidado com os excluídos — tudo isso faz parte da missão que nos foi confiada. Cada iniciativa, por menor que pareça, carrega em si o poder de testemunhar o amor de Deus de forma palpável.

Quando a comunidade cristã se mobiliza para servir, ela constrói um testemunho que vai além das palavras. O mundo não precisa apenas ouvir sobre o amor de Cristo; ele precisa ver esse amor em ação. É nesse ponto que a fé se torna convincente, porque deixa de ser uma teoria distante e passa a ser uma realidade que transforma vidas.

Essa prática também fortalece a própria comunidade. Ao se envolver em ações sociais, os membros da igreja descobrem novos dons, aprendem a trabalhar em unidade e crescem espiritualmente. O serviço nos tira da zona de conforto e nos ensina a olhar para além de nossas próprias necessidades. Ele nos lembra que somos parte de algo maior, chamados a ser instrumentos de transformação em um mundo marcado por desigualdades e dores.

Assim, a responsabilidade social da igreja não é um detalhe secundário, mas parte essencial da missão cristã. Nossa teologia sobre o céu precisa se traduzir em serviço na terra. O evangelho que pregamos deve ser visível nas atitudes que tomamos. A fé que professamos deve ser reconhecida nas obras que realizamos. É dessa forma que mostramos ao mundo que seguimos um Deus que se fez humano para amar, servir e resgatar.

No fim, o que permanece não são apenas palavras ou declarações de fé, mas o impacto que deixamos na vida das pessoas. Quando a igreja se compromete com o serviço, ela se torna um sinal vivo do Reino de Deus. E é exatamente isso que o mundo espera de nós: uma fé que não se limita ao discurso, mas que se manifesta em ações concretas de amor e solidariedade.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

CARGOS E MINISTÉRIOS

 CARGOS E MINISTÉRIOS


A obra do Senhor nunca foi um espaço para ser tratado com leveza ou inconstância. Deus não nos chama para servir de forma ocasional, por impulso ou quando sobra tempo. Ele nos chama para servi-Lo com o coração inteiro, com responsabilidade e com presença. Não porque Ele precise de nós, mas porque Ele quer nos moldar através da fidelidade.

Há pessoas que receberam dons preciosos do Senhor — talentos que não foram dados por acaso, habilidades que têm um propósito divino. Mas um dom sem entrega vai perdendo o brilho; uma habilidade sem constância vai perdendo o impacto; e um chamado sem compromisso vai ficando vazio. O que poderia ser instrumento de bênção se torna apenas algo usado de vez em quando, sem firmeza, sem continuidade e sem frutos.

A verdade é simples: ministério se sustenta na presença, não apenas na intenção. Não adianta querer servir, mas não estar disponível. Não adianta gostar do que faz, mas aparecer apenas quando convém. O Reino não avança com presenças ocasionais, e sim com corações constantes, que entendem que servir a Deus exige mais do que habilidade — exige responsabilidade espiritual.

A irregularidade no serviço revela irregularidade no coração. Quem aparece e desaparece, quem começa e para, quem dá um passo e volta dois, acaba vivendo sempre no meio do caminho. Jesus já disse que quem coloca a mão no arado e olha para trás não está pronto para o Reino. Não porque Deus rejeite, mas porque o coração ainda não entendeu o valor do chamado.

A obra do Senhor não é sustentada por momentos de inspiração, mas por fidelidade diária, por compromisso assumido, por amor demonstrado na prática. A obra de Deus merece mais do que sobras, mais do que espaços vagos, mais do que presença inconstante. Merece o melhor que podemos oferecer — mesmo simples, mesmo pequeno, mas inteiro.

Servir não é sobre ocupar um lugar ou executar uma tarefa. É sobre honrar o Deus que nos deu tudo. É sobre ser instrumento útil nas mãos do Senhor. É sobre compreender que aquilo que fazemos para Ele exige seriedade e entrega — não porque Ele exija perfeição, mas porque o Seu nome é santo e o Seu propósito é precioso.

Diante disso, cada um de nós precisa olhar para dentro e se perguntar honestamente:

“Tenho sido fiel ao que Deus colocou em minhas mãos? Tenho tratado o ministério como algo santo, ou apenas como algo que faço quando dá?”

Essas perguntas não são para acusar, mas para despertar. Deus não quer nos envergonhar — Ele quer nos alinhar. Quer nos ver firmes, constantes, crescendo, amadurecendo e frutificando.

E se alguém perceber que deixou o ministério esfriar, que abandonou o que começou, que perdeu a constância, saiba: ainda há tempo. Deus não cancela chamados, mas chama de volta. Ele não apaga a chama, mas sopra novamente. Ele quer ver o servo se levantar, assumir sua posição e voltar a servir com alegria, zelo e responsabilidade.

Porque o Reino precisa de servos presentes. A igreja precisa de colunas, não de visitas. O corpo precisa de membros ativos, não de peças soltas. Deus conta com aqueles que se dispõem, que permanecem, que honram o que receberam. E não há maior privilégio do que ser achado fiel.

Que abracemos o ministério que Deus nos confiou — não por obrigação, mas por amor ao Senhor e por consciência de que tudo que fazemos para Ele tem peso eterno. Que sirvamos com constância, humildade e zelo. Que não falte habilidade, mas principalmente que não falte fidelidade.

Porque, no fim, o maior fruto que um servo pode apresentar diante de Deus é este:

ter sido encontrado fiel.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Decência e Ordem no Culto: Um Chamado Urgente à Igreja

 

Decência e Ordem no Culto: Um Chamado Urgente à Igreja

O culto cristão é o momento mais sagrado da vida da igreja. É quando o povo de Deus se reúne para adorar, aprender, ser edificado e testemunhar da presença do Senhor. Mas infelizmente, em muitos lugares, o culto tem se transformado em palco de vaidades, em laboratório de experiências emocionais desconexas, em espaço de confusão espiritual.

A Palavra de Deus nos lembra que o culto deve ser marcado por decência e ordem. Não é sobre barulho, não é sobre espetáculo, não é sobre quem aparece mais. É sobre reverência, clareza e edificação. O Espírito Santo não promove desordem, mas conduz à maturidade.

Quando Paulo escreveu aos coríntios, ele enfrentava uma igreja cheia de dons, mas também cheia de confusão. Havia manifestações sem propósito, palavras sem entendimento, práticas que mais afastavam do que aproximavam. Por isso ele ensinou: o culto precisa ser inteligível, compreensível, claro. Se não há entendimento, não há edificação. Se não há clareza, não há crescimento.

Um culto sem ordem é como uma trombeta desafinada: em vez de guiar, confunde. É como uma ponte quebrada: não leva ninguém a lugar algum. É como uma música sem melodia: apenas ruído. E ruído não transforma vidas.

A ordem no culto não é frieza, é maturidade. É sinal de que a igreja está consciente da presença de Deus e comprometida com a edificação coletiva. A reverência é o perfume do culto; sem ela, até a verdade soa como barulho vazio.

O culto precisa ser claro para que todos possam participar. Precisa ser edificante para que todos cresçam. Precisa ser reverente para que Deus seja glorificado. Quando a mensagem é compreensível, o povo pode responder com fé, pode dizer “amém” em unidade, pode se unir em adoração verdadeira.

Decência e ordem não são detalhes secundários, são princípios fundamentais. O culto cristão não é um espetáculo de emoções, mas um ambiente de ensino, comunhão e adoração. É o lugar onde Deus fala, o crente cresce e o pecador se rende.

A igreja que cultua com ordem e reverência será uma igreja forte, saudável e frutífera. A que despreza a clareza e a decência se torna palco de confusão. O Nordeste, o Brasil e o mundo precisam de igrejas que cresçam não pelo barulho das manifestações, mas pela clareza da Palavra. Igrejas que não se percam em ruídos, mas que proclamem com convicção: Jesus é Senhor.

Este é um chamado urgente. Precisamos resgatar a reverência no culto. Precisamos valorizar a clareza da Palavra. Precisamos buscar maturidade espiritual. O culto não é sobre nós, é sobre Deus. Não é sobre emoção passageira, é sobre transformação eterna.

Que nossas igrejas sejam conhecidas não pelo espetáculo, mas pela presença. Não pelo barulho, mas pela verdade. Não pela confusão, mas pela ordem. Porque onde há decência e ordem, há edificação, há comunhão e há glória para o Senhor.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

O Púlpito e a Palavra: Um Chamado à Fidelidade e Reverência

 

O Púlpito e a Palavra: Um Chamado à Fidelidade e Reverência


Vivemos dias em que a igreja de Cristo é constantemente desafiada a manter-se fiel à verdade. Em meio a uma cultura marcada por subjetivismo, entretenimento e relativismo, torna-se cada vez mais necessário reafirmar o papel sagrado do púlpito e a centralidade absoluta da Palavra de Deus na vida da igreja. O púlpito não é lugar de invenção, mas de submissão. Não é espaço para criatividade humana, mas para a proclamação fiel daquilo que Deus já revelou em Sua Palavra. O pregador não é dono da mensagem — ele é apenas o mensageiro. Sua função não é adornar a verdade com ideias próprias, mas transmiti-la com fidelidade, temor e reverência.

Quando um homem sobe ao púlpito, ele deve fazê-lo com o coração quebrantado, consciente de que está diante de Deus e de Sua igreja como servo da Palavra, não como intérprete livre dela. O púlpito não é um palco onde se exibem talentos, carismas ou opiniões pessoais. É um altar de entrega, onde a glória pertence exclusivamente ao Senhor e a Escritura ocupa o lugar central. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, foi enfático: “Pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda longanimidade e doutrina” (2Tm 4:2). Essa ordem não deixa espaço para invenções. O chamado é claro: pregar a Palavra, não ideias humanas.

A autoridade do pregador não está em sua eloquência, nem em sua capacidade de emocionar ou entreter. Está na Palavra que ele expõe com fidelidade. O verdadeiro ministro do Evangelho é aquele que se submete ao texto sagrado, permitindo que a Escritura fale por si mesma. Paulo também declarou: “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor, e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus” (2Co 4:5). Essa é a postura do verdadeiro pregador: servo de Cristo, servo da igreja, servo da Palavra. Ele não busca aplausos, mas frutos de arrependimento e fé. Sua missão não é agradar aos homens, mas glorificar a Deus e edificar o corpo de Cristo.

O culto cristão, por sua vez, não é um espetáculo de emoções. Não é um show onde se mede a espiritualidade pelo volume das expressões ou pela intensidade das reações. O culto é, antes de tudo, um ambiente de ensino, comunhão e adoração. A ordem no culto não é sinal de frieza, mas de maturidade espiritual. Uma igreja madura é aquela que valoriza a reverência, que entende que a verdadeira espiritualidade se manifesta na submissão à Escritura, e não na exibição de experiências subjetivas. Em toda a história da igreja, o padrão sempre foi o mesmo: Deus fala, Seu povo ouve. Quando esse padrão é invertido, o culto perde sua essência. Jesus advertiu: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mt 15:9). Quando o culto é moldado por ideias humanas, ele se torna ruído, não adoração.

A Escritura é o padrão que julga todas as coisas. Não é o culto que define a Escritura, é a Escritura que define o culto. Quando o povo de Deus se reúne sem direção bíblica, o que se vê é confusão, não edificação. O culto verdadeiro nasce de um coração humilde diante de Deus, guiado por Sua revelação, centrado em Cristo e fundamentado na Palavra. Fora disso, tudo é barulho, mas não é adoração. A igreja que se submete à Palavra permanece firme, saudável e frutífera. A Escritura é o sopro de Deus que ensina, corrige, exorta e transforma. Paulo afirma com clareza: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeitamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3:16-17). Quando a igreja se curva diante da autoridade da Bíblia, ela encontra direção, discernimento e vida. Mas quando despreza a Escritura, abre espaço para confusão, ruído e distorções.

Já foi dito, com razão, que a igreja só é forte quando vive em submissão a Cristo. E Cristo reina por meio de Sua Palavra. O púlpito não é lugar de invenção, mas de fidelidade. Nossa responsabilidade como igreja é render a vida à Palavra, permitindo que Cristo viva em nós. Onde a Bíblia governa, a luz prevalece. Onde a Bíblia é negligenciada, as trevas tomam espaço. Que sejamos, como igreja, terra boa — humilde, obediente e frutífera — sempre guiados pela voz de Deus, nunca por modismos humanos. Que o púlpito volte a ser o que sempre foi: o lugar onde Deus fala e Seu povo ouve com temor, reverência e obediência.